19 de abril de 2017
trilha dos ruídos
quando não temeres as pálpebras, sonharás. deitarás desatento em meu colo a todo outono, contente, contido na própria leveza da cabeça. tua cabeça não pesa ao corpo, adormece volúvel e se comporta em seguida. teu corpo estirado está vivo e delicado, posso observá-lo respirar. ele transpira uma sinfonia sincera, enquanto na mesma sintonia bate teu músculo esquerdo. escuto-lhe bater mais forte e me apavoro por um instante. aquele pavor de quem sente o pulso na mão. aquele pavor de quem beija a testa para sentir o calor. mas o trem que cruza a rua segue um só caminho, não para até o seu destino. o trem que cruza a rua faz barulho e não espera o sono, não espera o dia, nem a noite, nem a mais delicada flor brotar no canteiro. o trem, esta máquina de ferro, não adormece. ainda me lembra da vida que guarda o escuro, ainda me lembra o barulho do teu coração.
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