as promessas que te fiz
talvez não consiga cumprir.
acendo uma chama no peito
e abaixo a cabeça em respeito ---
olho fixo na vela e esquecimento.
por um momento, peco novamente.
uma vida frágil precisa de um santo;
depois digo que não acredito em santos
depois eu contradigo meus leves dizeres
tão esperançoso de que a promessa
cobrirá todo o instante da escolha.
um homem que cai de um prédio
sentiria vida até chegar ao chão ---
um homem não entende nada
que não segure com a mão
em sua pequena queda
17 de agosto de 2017
25 de abril de 2017
metamorfosear
Muda os teus poemas,
muda tuas vozes,
tuas risadas,
fôlegos.
Olha o mais profundo
dos teus interiores,
teus cais,
âmagos.
Sofre agora as mudanças,
as tuas tragédias,
teus porvires,
âmbitos.
Nada veneres aqui-agora,
está na hora
da tua
vez.
muda tuas vozes,
tuas risadas,
fôlegos.
Olha o mais profundo
dos teus interiores,
teus cais,
âmagos.
Sofre agora as mudanças,
as tuas tragédias,
teus porvires,
âmbitos.
Nada veneres aqui-agora,
está na hora
da tua
vez.
20 de abril de 2017
19 de abril de 2017
trilha dos ruídos
quando não temeres as pálpebras, sonharás. deitarás desatento em meu colo a todo outono, contente, contido na própria leveza da cabeça. tua cabeça não pesa ao corpo, adormece volúvel e se comporta em seguida. teu corpo estirado está vivo e delicado, posso observá-lo respirar. ele transpira uma sinfonia sincera, enquanto na mesma sintonia bate teu músculo esquerdo. escuto-lhe bater mais forte e me apavoro por um instante. aquele pavor de quem sente o pulso na mão. aquele pavor de quem beija a testa para sentir o calor. mas o trem que cruza a rua segue um só caminho, não para até o seu destino. o trem que cruza a rua faz barulho e não espera o sono, não espera o dia, nem a noite, nem a mais delicada flor brotar no canteiro. o trem, esta máquina de ferro, não adormece. ainda me lembra da vida que guarda o escuro, ainda me lembra o barulho do teu coração.
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