19 de outubro de 2015
clarão no escuro
só podia-me ver claro se tu me roubasses a nuvem do pensamento. a face pálida me olhava como um susto. o susto era eu, meu susto ao nascimento dos contornos em preto e branco. viver era então me colocar na dor do outro, era sofrer pelo outro. até que não me sobrassem mais partidas ou repartidas ou bipartidas ausências na noite. revelei a face, descobri o segredo que me colocara diante da mais sutil forma de me compreender: o silêncio. e como quem rui a própria quietude, imprimi todas as minhas senhas na parede do quarto, colei todas as figuras do meu mundo para que me pudesses ler... para que, ao sonhar, as imagens me guiassem à tua imagem construída, com todos teus adereços nos olhos. sinto que continuo a te perder levemente para o tempo. e quanto mais sinto, mais sou.
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Um comentário:
Que hábito, me faz chorar
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