19 de outubro de 2015
clarão no escuro
só podia-me ver claro se tu me roubasses a nuvem do pensamento. a face pálida me olhava como um susto. o susto era eu, meu susto ao nascimento dos contornos em preto e branco. viver era então me colocar na dor do outro, era sofrer pelo outro. até que não me sobrassem mais partidas ou repartidas ou bipartidas ausências na noite. revelei a face, descobri o segredo que me colocara diante da mais sutil forma de me compreender: o silêncio. e como quem rui a própria quietude, imprimi todas as minhas senhas na parede do quarto, colei todas as figuras do meu mundo para que me pudesses ler... para que, ao sonhar, as imagens me guiassem à tua imagem construída, com todos teus adereços nos olhos. sinto que continuo a te perder levemente para o tempo. e quanto mais sinto, mais sou.
3 de outubro de 2015
Tettigoniidae
pensar me cabia como nó na garganta.
como perder a sensibilidade
e anestesiar as veias
já me doei a (quase)
tudo que acredito ser o melhor,
não existe melhor
quando tudo se cansa dentro
de uma esperança morta na porta de casa
esperança morta!
pisoteada num gesto grotesco
e impuro de me sobrepor
escorreguei um tormento . . . . . . .
como quem adota ares no peito
de algum destino cruel
por ter arrancado uma vida
como perder a sensibilidade
e anestesiar as veias
já me doei a (quase)
tudo que acredito ser o melhor,
não existe melhor
quando tudo se cansa dentro
de uma esperança morta na porta de casa
esperança morta!
pisoteada num gesto grotesco
e impuro de me sobrepor
escorreguei um tormento . . . . . . .
como quem adota ares no peito
de algum destino cruel
por ter arrancado uma vida
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