"O tempo é um evento nosso, meu bem." Tu disseste calmo, como um sopro na minha face sonolenta. A cabeceira da cama guardava livros, segredos, memórias. Fotos espalhadas pelo teto, tão teu. O transtorno se segue na capital, o caos pelo caos. A vida que segue a grande cidade não tão viva, a morte não tão morta. As vozes parecem as mesmas. Os medos mudaram: o medo do escuro não mais pelo escuro; o medo do homem pelo homem.
O tempo não é tão nosso, meu bem. As respostas não são nossas. Tudo se segue por teus pés como planejado. A corrente que une é a mesma que afasta. As guerras tão mais travadas nos nossos lábios não são do nosso tempo. O tempo pelo tempo... Praticamente inexistente. O mouro, que come do pão e bebe do vinho, não se esquece. As horas não se escorrem mais pela janela. O tempo é o limite. O limite é infinito.