A claridade do dia
envolve minhas pétalas.
A semente forte se envaidece
da luz quase distante.
No prever do abraço forte,
ergo-me a este Sol amante
(a abertura translúcida
de minha vida).
16 de dezembro de 2014
14 de dezembro de 2014
no hay banda!
e mesmo assim
há o umbigo do homem,
em todo este deserto de isolamento.
já a língua se cansa
e se adormece
como o primeiro vazio do adulto.
há o umbigo do homem,
em todo este deserto de isolamento.
já a língua se cansa
e se adormece
como o primeiro vazio do adulto.
12 de novembro de 2014
o passageiro
destas linhas me retiro de todo o possível, como se arranca a pulga de um cachorro. a pulga não o pertence tal qual a palavra não me pertence. eu, quanto narrador, quanto fictício, estou cheio de desmazelos decalcados no papel. eu, tão somente eu, que atravessei tantos séculos, quando a única coisa que sabia no início de minha própria existência era imaginar. imaginar a imagem. imaginar o fogo. imaginar a roda... e até vir a imaginar a palavra, precisei da imagem, do fogo e da roda. sombria, minha existência. obscura. com todas estas palavras silenciosas, habitadas na mais inatural forma de me representar, eu sou o homem.
a passagem fica ali na esquina. a passagem fica num ponto de ônibus. a passagem não fica mais, passa. depois de passada, volta. depois não se vê. estúpida em sua efemeridade, a passagem é, foi e será. e o que se passa? a incapacidade de guardar o intrínseco instante da escolha. a escolha não é, não foi e nem será, cheia de sua impossibilidade de me proteger, impõe-se também plural.
tenho apego por janelas, são portais. as janelas impõem uma posição: "não saias por aqui, mas veja-me!". e o que se vê é o que a janela não é: é tudo o que há além dela que realmente importa. tudo o que se passa por fora. é assim que, de repente, quase menos que de repente, num sorriso distante congelado ou no caminho de uma folha seca de uma árvore centenária ao chão, a imagem não é mais real e se forja singelamente da escuridão.
4 de abril de 2014
Cidade Profunda
As luzes da cidade à noite
governam o mundo.
São como constelações,
conexões desconhecidas
no espaço desconhecido.
As estrelas são os homens,
eles somem na cidade!
Os carros velozes se locomovem
como cometas em busca do caos.
Há sexo nas janelas,
pessoas perambulam
tal qual sombras perdidas
na noite estrelada sobre o Ródano;
permeadas sensivelmente nas esquinas,
que se esvaem solitárias em busca de pessoas;
lobos em busca da lua,
enquanto eu encontro na palavra de Virginia
tudo que dura um momento.
28 de janeiro de 2014
Tempo confinado
"O tempo é um evento nosso, meu bem." Tu disseste calmo, como um sopro na minha face sonolenta. A cabeceira da cama guardava livros, segredos, memórias. Fotos espalhadas pelo teto, tão teu. O transtorno se segue na capital, o caos pelo caos. A vida que segue a grande cidade não tão viva, a morte não tão morta. As vozes parecem as mesmas. Os medos mudaram: o medo do escuro não mais pelo escuro; o medo do homem pelo homem.
O tempo não é tão nosso, meu bem. As respostas não são nossas. Tudo se segue por teus pés como planejado. A corrente que une é a mesma que afasta. As guerras tão mais travadas nos nossos lábios não são do nosso tempo. O tempo pelo tempo... Praticamente inexistente. O mouro, que come do pão e bebe do vinho, não se esquece. As horas não se escorrem mais pela janela. O tempo é o limite. O limite é infinito.
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