Pelo olho mágico, avisto um corredor. Cada tapete em cada porta, cada vida por trás da gente sendo escondida. Não tão mágico. Magia é quando me transporto para fora, para fora da vida que já conheço... E começo a desconhecer cada vida que há do outro lado. Magia é ter muitas perguntas sem respostas e delas fazer surgir uma flor.
Embebedado de medo, continuo a atravessar a rua. A noite, que engole metade do mundo no descaminho, envolve também os casais em praças, bares e naquela lanchonete encontrada num domingo. Há fome em mim. Fome de olhos que me notem. Há fome de vaidade. Esta fome revela o que me falta e não me alimento do que quero. Eu devoro nos olhos o que arde em carne e misturo vida e vazio na mesa que sento.
Descubro muitas histórias, conto outras. Algumas eu até sei cantar. Outras podem ser enfeitadas sem magia, distorcidas, murchadas, luzidas. Assim desconheço pessoas que conheço. Assim o espírito entristece, a mágoa surge. Assim me calo sozinho na mesa e sorrio para as garçonetes que me subjugam com olhares penosos. Mal sabem elas que existe alegria na volta, existe um cigarro, um passo largado, uma chave para abrir minha própria porta e tornar a ver através do pequeno óculo distorcido o quanto eu preciso expandir.
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