12 de abril de 2013

aqui jaz um grão de areia

não sou menos homem, nem menos mulher ou menos criança do que já fui ou serei. sou exatamente na medida que posso e que preciso. sou o orgulho do pai, a fé da mãe, sou parte irmão e parte do meu irmão.
ergo o punho concreto num soco se necessário, sou menos humano às vezes. e as vezes que precisei ser humano fui bem-sucedido. este mesmo punho é o que se abre e aperta uma mão, afaga uma face, limpa lágrimas.
em outras horas, me pego sentado resgatando fotos dos meus antepassados, colecionando objetos que não cabem em mim. cabem na prateleira amarela do meu quarto. sabem eles de palavras que não usei, sabem estratégias peruanas para conservar o barro bonito.
e eu vou desentendendo a minha idade... desentendo se a emoção sobrevêm a construção de sentido ou se desconstruir poderá. sabem sim que são inteiramente finais, mas permanecerão. nós, pelo contrário, somos o início e a transmutação do que há de vir. nós construímos melhor de dentro. não existe representação que supra... amar.

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