14 de fevereiro de 2013

Clarissa

Ela tem uma fazenda.
Cuida do gado, do pasto,
do homem, do lago,
do gato e do bem,
que nela explode
quando cata o xerém.

Casou atrás da moita,
deitada no mato,
de perna aberta,
de olho no céu.

Meses depois perdeu
no mesmo mato uma vida
e chorou sob o mesmo céu,
sobre a terra molhada que
tanto lavrara abaixo de Deus.

Mas o homem ficara
e a luta também.
Em várias noites
ele enchera a cara,
soltava o verbo
esporeava a mulher,
já tão delicada que
não contestou.
A vida que dorme
já calejou o mais enorme
dos corações.

Não queria colchão de mola,
muito menos esmola pedira...
Alguém soprou na janela
e todas as portas abriram,
os móveis antigos pularam,
a chuva bateu, o vento secou,
o sol se escondeu, o raio passou,
a folha caiu, a neve já caía
em algum outro canto,
que Clarissa não sabia
até se fechar para o
mais teimoso descansar.

2 de fevereiro de 2013

lembranças


tanta coisa bendita fora desdita
nestes meus calos emergentes
tanto pesar, tanta dor escondida
que nunca precisei esconder,
que supre em ti esse ego,
esta necessidade de se sobrepor

tantas horas, ah, quantas horas
e filmes e beijos e sexo cruel
acima do meu pulmão ofegante,
da minha garganta soluçante,

após e através, lágrimas
além e antes, amor
amor
amor
amor
que some em outras horas
em muitas outras
amém