23 de novembro de 2012

Psique

Silêncio. Existem palavras mais completas e por entre as significações esbanjo quietude. Sim, silêncio aprendi desde pequeno. E talvez silêncio se confunda com timidez, mas é verdadeiro o valor que emprego e estremeço. E a lágrima que cai, tal qual chamo de coisa, porque como bem sabemos coisa pode significar tudo e não caber dentro de si, essa lágrima exporta o sentimento para o mundo. Penso que este mundo já é carregado e pesado demais. Arrisco-me dizendo "silêncio" e o quebro feito porcelana. Arrisco mais a minha face estranha no espelho, demarcada por vermelhidão. Por comoção sopro silêncio e o disperso na única coragem que me permito: escrever. E parto mais ainda, parto com dor, esquisito.

Sei que, se humanidade já nasce como característica e se esta for estremecida durante a vida, a pele vai desenhando um contorno maligno e nas mãos, estas verdadeiras fontes de energia, vários contornos embaraçam-se e linhas projetam-se pela necessidade de futuro. E um terremoto estranho sorvido de paz – já que quando há excesso transborda e tudo que transborda também afoga – renuncia o próprio desejo de integridade. Não vejo as pessoas inteiras, se lhe falta um braço ou perna ou olho pode-lhe sobrar sensibilidade de outro sentido, mas pior é quando a falta não é do membro mas da própria sensibilidade.

Não sei, há dúvida até do que penso conhecer e isso chama-se razão, porque para se alcançar o tenro sórdido secreto em si é preciso não estar calçado e andar pelas calçadas da cidade. É também ver-se no reflexo crédulo de Narciso, este que não precisou de lágrimas para se afogar. Nem fundir-se com o inevitável altera a sorte, é necessário muito esforço para ser cético e vem como uma quase atuação tragicômica. Rio então pela alma e a alma me responde assim: sim.

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