7 de setembro de 2012

No mais, adeus


É tão importante que me vejas agora na primavera, agora que o trem percorre o campo. Não molhei por muito os olhos, e por muito me sustento no parapeito da janela e laço com o respirar a fumaça. É importante esse estado primaveril e o frescor que duvida paz, mas entende. 
Encontrei meu próprio labirinto e a saída me parecia tão fácil... mas não saí. É tão importante que leves também tuas meias, já não as uso. Faz calor onde moro. Aprendi a dançar, mas continuo a desaprender como falar-lhe da vida. Vejo ponteiros se contorcendo diante das flores que plantei.
Aprendi a sorrir e de ombros caídos sonhar; sem questionar porquês, descartáveis de algum modo. Se tu soubesses da primavera como eu sei - preenchendo notas no espelho e virgulando as sombras espalhadas, que param no que não são. Se tu pusesses a ti atento...
É tão importante que me vejas agora, porque eu não te veria! Das mudanças que cercam nossas tempestades, das mudanças entre calar e sentir-se inteiro, afrouxa-se mais liberdade. Perdi as ondas e a vidência. Desprendi-me dos medos de inverno, que não são propriedades das estações, porque tu és livre. Não te impeças de crescer no princípio, pois não te impedirei de levar meu abraço.