3 de agosto de 2012

Guarda-chuva amarelo

Nos paralelepípedos parei sonolento, sentei na calçada molhada e vigiei a vida. E as ruas não paravam, nem as pessoas soltavam votos de confiança entre os pequenos olhares. Não senti frio, nem dor, nem fome, me escondia em mim, segurando aquela sombra amarela-reluzente. Confesso ter esse espírito cansado confinado a você, que me lê e me entende de algum modo.
Já levantei a alma para ver o além, já levantei a vida de alguém, e de algum modo transpus meu maior bem. Acima da terra, revejo esse peso que é querer. E se te possuo, me peco tentando novos passos, tramando uma música na garganta cheia de nós.
Eu agora caminho numa pista vazia, percebo fantasia como loucura e a loucura me acolhe assim como o pouco saber. Assim entre as verdades enraizadas abaixo dos pinheiros no inverno. Em meio a um cinza que cobre o sol e que descobre o âmago do céu, que já tanto guardou chuva, eu recito esse amarelo a ti para que tenhas noção do secreto que ao fim de mim recua. Sim, amor.

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