Sou eu sem fim. No findo gritante de Gal. Sou eu a viagem e o verde espalhado na lembrança da janela que corre embaçada, deixando um mundo para trás. Agora com toda essa insignificância traçada entre nós, em meio a rio e riso, na importância da consonância de sonhos.
Admiro... E afundo. Então brilho mais por dentro, porque não entendo a profundeza dos oceanos, mas sinto de algum modo o infinito. Guardo cheiros como guardo meus livros. Entrego meu cinza nos lábios e meu vermelho na alma. Sou eu no Quero de Drummond, nas horas da Virginia, sôo o tempo.
No mais asqueroso de Clarice, me perco e me enxergo. Já decidi que não posso pisar em mim como piso numa barata, então eu me entrego e me ato em Almodóvar. Mais sensível ainda com uns. Mais sentido ainda esboço nesse corpo, ora virginiano ora eu. Sou eu o pássaro azul preso na gaiola de Bukowski.
A saída sou eu, o descaminho, o pérfido, o impuro... E navego nos cachos e nas mãos e nos ombros, enquanto amo. Reconheço-me em todos que conheço e conheço pouco, componho-me dessa Construção de Chico. Construo-me de João, Maria, Pedro, André e todo menino que não tem nome nesse agosto despedaçado.
E há certa beleza no fundo no fundo.