21 de novembro de 2011

Verão

Já no tempo me escondo. Logo atrás desse ascendente fervoroso, me desatino procurando silêncio, podando os galhos secos de um alter ego compromissado. Talvez seja só reflexo de vida que me corre às retinas, que me escorre entre lágrimas, onde recorro, perdendo e encontrando somente a mim.
Do contrário, ainda há vento, ainda chamo a sombra acolhedora dos dias quentes. Sei que só não me mudo de mim porque não posso, porque escolhi ser eu, porque, entre tantas respostas, as minhas perguntas multiplicaram-se tremendamente dando chão ao meu zelo. Se não fujo daqui, é por esta vida me pertencer irrevogavelmente, unicamente preciosa no mais.

21 de outubro de 2011

Perto da alma sensível


Primeiro a amizade. Não, não o amor. O amor é descendente de signos mais covardes. Porventura a amizade até seja, sem a reciprocidade nos dias chuvosos. Não há compreensão desdita, nesses solos férteis crescem mais e mais palavras por dentro que desabam na espera de outrém. Enquanto o desdém se perde no imensurável, é preciso tato. Posto-me então na sala de espera, cheio de calor, expresso nas gotas, marcado em testa. Em tanto ombro amigo me perco, e me encontro ciente e o meu mais contundente soluço some à procura do sorriso. Quase rio a debochar da minha falta de acato, só assim mato saudade.

1 de setembro de 2011

Já dormir não faz falta

Jazem todas as flores,
todos os votos,
os erros,
a prosa.

Jaz mais de mim
escondido,
jaz tudo solto
já demarcado na face,
já exclamado no peito.

Incompreendido,
quase esqueço de descansar.